segunda-feira, 30 de abril de 2012

Um Conto

Aconteceu há aproximadamente 60 anos atrás...
Zé Caboclo acordou cedo e como de costume o dia ainda não tinha mostrado as caras ainda, em silêncio atravessou o quarto onde dormia com sua mulher e foi para a cozinha preparar café.
Como era quaresma Zé ficou um tempo pensando antes de colocar a água para ferver, tinha prometido que se tivesse uma safra boa na sua pequena produção de café, todas as quaresmas ele não beberia o fruto de seu trabalho. Aquela havia sido uma safra muito boa, mas o vicio do café pulsou mais forte em suas veias. Resmungando uma reza de desculpas Zé virou a imagem de Santo Antonio para a parede para ele não ver o descumprimento da sua tal promessa. 
Fora da casa um relincho ecoou no meio do cafezal, seguido dos latidos frenéticos e interruptos dos três cachorros labradores que seu Zé tinha. Pensando ser o cavalo do vizinho Zé saiu porta afora para ver se conseguia enxergar algo em meio a escuridão. Nada. Os cachorros ao verem seu dono logo o cercaram. Estavam tremendo e soltando ganidos de medo, assustado ao ver os cachorros assim, Zé correu para dentro da casa em busca de seu rifle onde o encontrou no mesmo canto atrás da porta da dispensa. Sua mulher, Maria, veio ao seu encontro assustada com todo aquele barulho.
- Que ta contecendo homi? - perguntou
- Se acalme muié, acho que o cavalo do Chico ta la nu meio dus café assustando us cachorro. Vô la vê e assusta o bixo, fica quieta dentru de casa e fecha a porta quando eu sair
De volta ao quintal Zé percebeu que nenhum dos três cachorros estavam mais lá. O silêncio predominava. Maria o observava da janela da cozinha. Então novamente um relincho forte ecoou a poucos passos de onde Zé Caboclo estava, fazendo-o dar um tiro para o lugar por puro reflexo. Pelo som que se fez, Zé imaginou que acertou o tal cavalo.
Maria viu o marido caminhar para a escuridão depois de lhe fazer um gesto no ar dando a entender que tinha matado o tal cavalo. 
Alguns instantes se passaram e nada de Zé voltar. Maria foi até a cozinha, pegou a sua faca de matar porco e saiu atrás do marido, antes mesmo dela pisar no último degrau que dava pro quintal, um grito alto e rouco lhe chegou aos ouvidos, era o grito do seu Zé. Logo uma chama avermelhada iluminou atrás do terceiro pé de café do cafezal. Maria ficou boquiaberta e pôde até sentir sua alma querer lhe fugir do corpo ao ver tal imagem.
Uma mula negra com cabeça de fogo estava do lado do corpo inerte e desfigurado do marido. A mula se apoiou na patas traseiras empinando-se e saiu em disparada cafezal adentro iluminando tudo com sua cabeça de fogo. 

Maria foi encontrada no dia seguinte por Chico que ouvirá o tiro na noite anterior e tinha ido no vizinho para ver se estava tudo bem. Segundo Chico contou aos moradores, Maria estava deitada com a faca em mãos em cima do corpo morto de Zé Caboclo, ela estava em estado de choque e suas roupas, assim como a faca em suas mãos estavam manchadas com o sangue do marido. Os cachorros foram encontrados num mata burro nas proximidades da casa ganindo e tremendo. 
Deste dia em diante Maria virou Maria Louca a mulher que matou o marido a facadas. Ninguém nunca soube o que realmente aconteceu naquela noite, apesar de Maria Louca contar sempre a mesma história, a de uma mula negra com cabeça de fogo...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Siga em frente

Como ser bom o bastante para alguém, alguém que você ama, se importar contigo? Como pode momentos que você julgava únicos e marcantes se tornarem apenas lembranças no meio de um nada? Será que foi tudo ilusão? Onde foi parar o amor que sentia? São tantas perguntas sem respostas. Você passa uma parte da sua vida sendo tudo para alguém, se dedicando a ela, sendo que você é apenas "mais um" na vida dessa pessoa. Os valores mudaram, hoje só existem curtição, um eu te amo é o mesmo que dizer bom dia. Onde isso vai parar? Não sei, apenas sinto e penso que quando amar alguém nunca terá a certeza se vai ser duradouro ou a pessoa vai amar outro na próxima semana. Aqui eu digo a todos, nunca, mas nunca mesmo, digam que amam alguém se não o sentem do fundo de sua alma. Pois a pessoa pode-se pegar a esse amor de tal forma que ela faz planos, contam os segundos no relógio para te ver, sente tanta saudades que um simples sms não é o bastante que ela acaba ligando e assim estourando a conta do celular sem se preocupar, pois ela falou com a pessoa que ela ama. Os momentos juntos se tornam rápidos demais, um tchau na hora da despedida vira uma sensação de vazio que apenas dois minutos depois que a pessoa se foi você já liga ou manda sms. Valorizem a pessoa do seu lado se você realmente a ama, sem orgulho, sem se importar com classe social ou se a família é contra. Enfrentem tudo e todos, pois lá na frente verão que tudo valeu a pena. Sacrifícios e crises em um relacionamento sempre vão existir e os dois tem que superar isso juntos. Amor, digo amor mesmo, ele nunca se acaba, ele se transforma em uma amizade com muito respeito ou ele se fortalece cada vez mais e mais. Hoje alguém pode ler isso e se perguntar, onde foi que eu errei? Eu fiz tudo o que este texto diz, eu me entreguei de alma e coração e mesmo assim não me deram valor, agora estou aqui sofrendo por alguém que ama outro ou que não me ama e escolheu seguir os sonhos sendo que podia muito bem amar e seguir os sonhos pois também tenho sonhos e mesmo assim não desisti dela. Eu respondo: levante a cabeça, esta pessoa não te merece, é duro, depressivo e muito doloroso, mas um dia isso passa e por experiência própria até hoje espero tudo isso passar e poder seguir em frente, se você ou eu vai conseguir não sabemos, mas temos que de alguma forma tocar a vida para frente e procurar sempre crescer, nunca ficar parado se martirizando por alguém que nem lembra que você existe...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Castelos

Castelos, minha grande paixão. Até hoje só estive dentro de um castelo de verdade, o Castelo de Edinburgh, ou Castelo de Edimburgo, localizado na Escócia. Eu que sou apaixonado por coisas antigas me vi de boca aberta assim que o avião pousou naquele solo. O novo entra em contraste com o velho, mas o velho ainda é muito predominante na cidade de Edimburgo. Assim que passamos pelo portão principal e entramos no castelo em mim a atmosfera mudou, já fiquei em êxtase. Tirava fotos freneticamente e talvez seja por isso que muitas delas saíram de péssima qualidade. 
Saber que a maioria daquelas pedras tinham 500, 600 anos era algo fabuloso, eu toquei o máximo de pedras que consegui, queria tocar em algo que resistiu ao tempo, as guerras e revoluções, pedras essas que protegeram muitas vezes o castelo de ataques, que viram reis e rainhas desfilarem em suas magnitudes. Por mim morava lá tranquilamente. Me senti bem, leve. O ar frio que ameaçava chover a qualquer hora não me desanimou, ao contrário, só alimentou a minha vontade de ter vivido numa era medieval, como eu disse em um post anterior. Assistam "Coração Valente" que vocês entenderam um pouco do que eu senti. Muitas vezes eu olhava para um determinado ponto e tentava enxergar ele a muito tempo atrás, as pessoas que passavam por mim eu as via com trajes medievais. Parecia que eu ia entrar em um estado de alucinação e sonho ao mesmo tempo, mas me mantive forte. Não queria ter que sair dali como louco (kkk). 
Não sei de onde veio este amor por castelos, deve ser dos muitos livros que li na minha adolescência ou eu trouxe isso comigo de outras vidas, realmente não sei explicar. Apenas sei que desta minha viagem, durante um dia, eu realizei meu sonho de jovem. E o melhor é que eu não me decepcionei, aquele castelo é tudo e um pouco mais do que eu imaginava. Dos canhões aos "porões" onde os presos ficavam. Dos quadros de reis, rainhas, duques e duquesas ao salão das armas. Sem falar das lendas, segredos e mistérios que existem por trás daquelas paredes de pedra.Tudo me impressionou. E com os olhos brilhando eu fui embora. Espero um dia voltar lá com mais calma e poder aproveitar ainda mais. Selecionei algumas fotos do castelo para vocês verem. Acho que da para vocês terem uma noção da minha nostalgia medieval.





























quarta-feira, 25 de abril de 2012

Saudades

Saudades e Amor na maioria das vezes andam juntos, mas hoje vou me dedicar mais a saudade, amor falo depois.
Saudades é algo difícil de traduzir em palavras, é por isso que não tem tradução para os outros idiomas penso eu. É algo que dói, machuca, te deixa angustiado, te faz chorar e relembrar sempre quando você sente um cheiro, faz alguma coisa, ouve uma canção, vê alguma foto ou uma determinada pessoa.
Existe saudades de lugares e saudades de pessoas. Apesar que em algumas vezes a saudades de lugares tem pessoas envolvidas. E ao meu ver, saudades de alguém dói milhões de vezes mais do que de lugares. Saber que aquela pessoa não está aqui do seu lado, que você não vai vê-la amanhã ou vai vê-la mas vocês já não tem mais contato, que essa pessoa partiu e você nem teve uma oportunidade de se despedir, dói. E como dói.
Aquele olhar nos olhos, aquele sorriso que te alegrava mesmo quando estava para baixo. Aquela voz, aquele abraço bem apertado...aquele beijo...
As palhaçadas, alegrias, tristezas e medos compartilhados que nunca mais irão voltar, tudo o que você fez, tudo o que você se dedicou, hoje não existe mais e você apenas tem poucas fotos e lembranças de uma vida que parecia mais completa do que é hoje.
Quase sempre você se culpa, se julga ou culpa e julga outras pessoas por ter perdido esse alguém. Quer voltar ao tempo e corrigir tudo ou viver tudo só mais uma vez, uma única vez mais...
Mas sentir saudades, apesar de tudo, tem um lado bom, nela você aprende a valorizar o dia de hoje para não cometer os mesmo erros que um dia cometeu. Saudades é boa quando ela te faz rir em meio as lágrimas e não quando ela te faz derramar mais lágrimas do que criar sorrisos...
Saudades sempre vai existir, você tem que aprender a conviver com ela e as recaídas são totalmente normais, por mais que machuque relembrar.

terça-feira, 24 de abril de 2012

O que te faz feliz?

O que te faz feliz?
Um sorriso, um abraço, um eu te adoro, um eu te amo? Acordar ao lado de quem se ama, assistir aquele filme que te abre a mente e te faz esquecer dos problemas, brincar como criança quando encontra uma ou até mesmo sem nenhuma criança por perto? Cantar, correr, pedalar, ouvir músicas, praticar algum esporte, tocar algum instrumento? Beijar, tocar, acariciar, ver, sentir, sorrir, chorar? Se doar e ver tudo voltando em dobro ou apenas doar, ver alguém muito querido subir na vida, casar, ter filhos? Viajar, descobrir, cuidar, imaginar, explorar, tornar sonhos em realidade? Sair com os amigos, beber, fumar, comer, conhecer gente nova, aproveitar a noite até que ela se transforme em dia? Não ser apenas mais um e sim alguém reconhecido, participar de algo grande, ser lembrado por gerações e mais gerações?
Afinal... o que te faz feliz?

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Loteamentos

Este fim de semana um assunto me veio em mente quando andava pelos bairros da minha cidade e eu fiquei moldando ele de uma maneira menos "polêmica" para colocar aqui: Loteamentos.
Poxa como pode abrir tanto loteamento assim? Minha cidade não tem estrutura para comportar esse possível crescimento populacional.
E isso afeta todos os setores, pensem comigo: irá haver um maior número de pessoas de fora vindo morar aqui, não temos grandes empresas que possam trazer empregos aos moradores aqui residentes (imagina com mais gente chegando), com o crescimento populacional aumenta-se crianças nas escola (que já estão cheias), aumenta o número de atendimento nos postos de saúde (que já é bem precário e esperamos horas e horas na fila, sem falar na falta de médicos, falta de remédios e etc). Se aumenta tudo isso e a cidade não tem estrutura para comportar com certeza vai aumentar o nível de violência e criminalidade (não temos policiais o suficiente nas ruas). Posso estar falando abobrinhas, me corrijam se eu estiver errado, mas por ora este é o meu pensamento. 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Vidas Passadas

Quase todos os dias me pego pensando em como seria se eu estivesse nascido a muitos anos atras, eu penso em duas etapas distintas, uma seria a 60 ou 70 anos em um brasil onde se predominava as fazendas e onde muitas cidades nem existiam e a outra seria a 300 anos atras numa Europa medieval com seus castelos, reis, rainhas e tudo o mais.
Por mais que eu viva no mundo de hoje, meu ser não pertence a esses dias. Ele ficou lá onde Ray Charles estava começando a estourar nas rádios ou na minha adolescência quando ouvia falar em uns garotos de Liverpool lá na terra da rainha. Sem falar no charmoso Elvis que tentávamos imitar com nossos topetes e que as garotas suspiravam. Tudo isso mais os costumes: andar de terno e gravata, ter muito respeito pelos pais, ir em bailes, cortejar as moças e ter muito medo dos pais delas, andar a cavalo era o meio de transporte, tínhamos que manter o bigode bem aparado e sempre que uma dama passasse cumprimentava ao retirar o chapéu e abaixar a cabeça em um gesto de respeito. Me lembro das festas nas fazendas, principalmente as juninas onde brotavam gente de todos os lugares. Muita fartura, música, risos e alegria até o amanhecer. Que saudades deste tempo...as vezes tenho certeza que vivi naquela época...
Um pouco mais atras, em uma outra vida, me vejo como um camponês trabalhando em minha lavoura num mundo onde não se existia máquinas nem nada, apenas os nossos braços fortes e judiados de tanto tentar tornar fértil uma terra ruim e cheia de pedras. Tinha uma mulher da qual era casado e dois filhos pequenos que adoravam se esconder em cima das árvores quando eu dizia que ia pega-los por fazer travessuras. Parece até que consigo sentir aquele clima frio, mas um frio leve, o inverno já passou e as primeiras flores ameaçavam em sair me dizendo que a primavera seria uma estação adorável como todas as outras. Perdido nestes pensamentos me lembro que a enxada continuava em minha mão e eu estava a admirar o horizonte ainda nublado, mas com mais luz do que os outros dias. Em minhas narinas um cheiro adocicado de chá me lembra que já esta quase na hora do chá da tarde. Com um grito chamo os meninos e caminho para dentro da minha velha casa que outrora pertenceu a meu pai. Me sentia leve e feliz, amava aquele pedaço de chão que meus antepassados haviam ganhado da monarquia britânica.
Escrevo tudo isso com toda a certeza que realmente vivi estes tempos.
Se foi real ou não, não saberei. Mas do fundo do coração espero que tenha sido. Pois eu era muito feliz...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Para pensar...

O que esperamos da vida? Namorar, casar, ter filhos ou curtir ao máximo e pensar que essas etapas são consequências e virão com o tempo?
O que esperamos do amanhã? Fazer tantos planos sem saber se irá realiza-los ou viver um dia de cada vez como se não houvesse o amanhã?
Há pessoas que fazem tantos planos e nunca realizam. Há pessoas que são de momento, do nada lhes surge algo em mente e o fazem.
Até que ponto isso pode ser correto ou incorreto ou não existe nem um e nem o outro? Apenas caminhos que temos que seguir. Caminhos esses que podem já estar trilhados antes mesmo de nascermos.
A pergunta neste caso muda...
O que a vida espera da gente? Pessoas melhores é o que todos pensam e eu concordo. Acredito que com tantas mudanças acontecendo no mundo, mais ruins do que boas, a vida espera que as pessoas sejam melhores e possam sempre melhorar, mas e se isso não acontecer?
Tudo isso são apenas perguntas que nos fazem pensar que não sabemos as respostas (...)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Música

As vezes paro para refletir o efeito que uma música pode me causar. É impossível dizer na maioria das vezes. Em dias como o de hoje, quando eu pedalava pelas ruas da cidade ao som do novo álbum de Paul McCartney senti uma paz enorme dentro de mim, parecia que tudo entrava nos eixos. Combinado ao por do sol, foi um passeio muito bom. Em outras épocas com outras músicas, eu derramei e sequei lágrimas que pensava nunca derramar. Em outras épocas com outras músicas, eu gritava até a garganta doer e o ar me faltar.
Música, nos motiva e nos põe para baixo, independente de qual música seja. O que na verdade muda é o nosso gosto musical.
Música, nos deprime, quando ouvida num momento de dor ou de saudade. Música, nos faz pular, gritar, tocar instrumentos invisíveis, dançar, rir, quando ouvida num momento de alegria.
Música é isso, querendo ou não, seja lá o estilo que for, sempre haverá alguém que estrala os dedos, assovia ou canta baixinho pra si mesmo alguma música enquanto caminha para o trabalho, escola e etc...

terça-feira, 17 de abril de 2012

Amor Racional

Ser jovem mas ter essa essência "velha" me faz perceber o quanto o mundo de hoje já não é mais o mesmo e caminhamos a passos largos para uma futura ( talvez não tão futura assim ) extinção. Mas sem apelar para motivos ambientais e políticos, acredito que, o que mais falta nesta nova "era" seja o amor. Amor que nos envolve, nos embriaga e nos faz querer sempre o "bem". Sim digo o bem, pois amor que busca o mal para ter benefício não é amor. É doença. Se existisse mais amor, talvez tudo seria um pouco melhor ou bem melhor dependendo da proporção que isso poderia ocasionar. Mas como nada funciona sozinho nesse mundo, não podemos esquecer da razão, que acompanhada com o amor torna-se uma combinação perfeita. Amor racional, acho que é isso que falta neste mundo.

...

Retorno ao começo

Pois bem, aqui estou, caindo nas graças de um blog. Algo que pensei fazer desde a muito tempo atrás e que por alguma razão não o fiz até o momento.
Leiam, critiquem, digam o que quiser, continuarei a ser o mesmo. Talvez melhor, talvez pior.