Me sentei a sua frente em outra poltrona que tinha na sala. Ele me encarava, os olhos expressivos e com um "que" de curiosidade. Me ajeitei na poltrona, estava desconfortável.
- Muito bem, comece - disse.
- Por onde exatamente?
- Essa pergunta só você poderá responder, afinal isso tudo é um imaginário onde você quer me falar dos seus 23 anos completados hoje.
- É mesmo. Me confundo até em pensamentos, me desculpe.
- Tudo bem, pois então....comece.
Sim, eu ia começar...
- Hoje pensei que por alguma razão meu dia poderia ser especial. Tive um sonho do qual não vale a pena lhe contar, logo após vi as horas se arrastarem tediosamente. Já que o dia exato não estava lá grande coisa. Voltei ao meu passado. Recordei de vários momentos, amizades, pessoas, lugares e objetos. Senti um aperto no coração ao saber que aqueles dias incríveis eram apenas lembranças agora. Passou rápido, muito rápido. Essa rapidez me assusta quase o tempo todo, tenho medo de não conseguir realizar os projetos dos quais eu sonho ou que de alguma forma eu não aproveite como deveria.
- Não deveria pensar mais no hoje do que chorar pelo passado e ficar assustado com o futuro?
Se não fosse uma realidade criada em meus pensamentos provavelmente tinha me retirado da sala neste momento.
- Não, pois faz parte do que eu sou, acredito que isto esta na minha personalidade.
- Então por que reclama tanto?
- Porque você não me deixa viver em paz.
- Então a culpa é minha de te dar esses pensamentos dos quais você tanto cria durante o dia? Acredite, você esta se passando por louco neste exato momento.
E quem não é?
- A culpa é toda minha, apenas me escute ok?
- Se eu disser que não mudaria algo?
- Não! Vamos voltar ao que interessa? Pois bem. Esses meus medos do futuro são realmente horríveis, gostaria de não tê-los, pelo menos não nessa intensidade...
- Interrompendo um pouco, acho que ninguém entendera este post no seu blog.
- Não acho isso, muitos entenderam e poucos lerão apenas por ler. Mas o que vale é a maioria nesses casos certo?
- Se você esta dizendo...
Agora percebo o quão chato consigo ser dentro de meus pensamentos...
- Continue falando sobre seus 23 anos que completa hoje.
- Sim, 23 anos de história, muita história e sabe de uma coisa? Me orgulho de muita coisa, apesar de ter vários arrependimentos também. Me orgulho da educação que tive, da família e amigos que tenho. Me arrependo de não ter me dedicado mais em algumas coisas e algo mais que não vale a pena colocar aqui...
- Aquele seu velho problema.
- Não vamos falar dele, não hoje.
- Como se você não tivesse pensado o dia todo.
- E tem como não pensar???
- Melhor encerrar por aqui antes que fique um texto cansativo e pessoal demais.
- Concordo, obrigado.
Me levantei da poltrona enquanto o homem se desfazia em uma nuvem branca. Abri a porta e voltei para a realidade...
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Póstumo
Não me lembro de quase nada de como tudo começou.
Estava dirigindo meu carro, era noite, vi um clarão, som de pneus freando e depois tudo escureceu...
Me vi em um lugar paralelo, estava confuso no começo, agora já consigo entender. Eu tinha morrido.
Quando a visão turva começou a espairecer pude ver o meu em carne e osso dentro do carro, estava desacordado em meio as ferragens. Pessoas passavam por mim, me atravessando, eu era um espirito, ou o mais próximo que consegui assimilar.
A sirene de uma ambulância se aproximava rápido. Pessoas abriram caminho e os enfermeiros começaram a tentar me tirar de lá. Olhei para o outro lado e vi um caminhão tombado no meio da rua, o mesmo clarão que tinha visto em vida iluminava toda a cena.
De repente senti que estava sendo puxado para longe de tudo aquilo. Escuridão e logo após uma luz, branca e forte. Gritei. O choque estava passando e eu não conseguia aceitar nada daquilo. Não queria morrer, amava viver, amava tudo na minha vida. Senti uma mão no meu ombro ao cair de joelhos naquele plano branco. Não conseguia ver seu rosto, mas dentro de mim tive certeza que era algo muito acima de qualquer entendimento ou fé. Pedi para voltar, uma segunda chance. A resposta veio em pensamentos, como se fosse por telepatia. Ele me daria a chance de ver tudo o que gostaria de ver no tempo que me fosse necessário. Pois Ele tinha um caminho para mim e eu só poderia percorrer quando entendesse tudo o que tinha me acontecido.
"Feche os olhos", pediu em pensamentos.
Fechei.
Quando abri já era dia, um dia após a minha morte. Estava chovendo. Comecei a percorrer aquelas ruas tão familiares em busca de alguém, qualquer um. Encontrei uma conhecida e comecei a caminhar ao lado dela.
- Hey oi
Nada, ela continuou a caminhar. Passei a mão em frente ao seu rosto, nada. Atravessei a minha mão de lado a lado da sua cabeça. Ela parou, olhou para os lados e continuou o seu trajeto.
Resolvi procurar meus familiares. Precisava encontra-los e dizer que de alguma forma eu estava bem. O velório da cidade não ficava muito longe de onde eu estava, corri para lá. Ao contornar uma rua, parei. Estava lotado de pessoas e carros, reconheci centenas de rostos. Sempre tive uma curiosidade em saber quem iria no meu velório quando eu morresse e agora eu tinha a resposta. Fiquei parado ali contemplando cada um, muitos choravam. Minha conhecida passou por mim e se juntou a um grupo de garotas, suas amigas.
Sem mais.
Este é um trecho não revisado do livro que estou escrevendo, muita coisa pode mudar. Mas acredito que vocês já podem ter uma base de como vai ser...
Estava dirigindo meu carro, era noite, vi um clarão, som de pneus freando e depois tudo escureceu...
Me vi em um lugar paralelo, estava confuso no começo, agora já consigo entender. Eu tinha morrido.
Quando a visão turva começou a espairecer pude ver o meu em carne e osso dentro do carro, estava desacordado em meio as ferragens. Pessoas passavam por mim, me atravessando, eu era um espirito, ou o mais próximo que consegui assimilar.
A sirene de uma ambulância se aproximava rápido. Pessoas abriram caminho e os enfermeiros começaram a tentar me tirar de lá. Olhei para o outro lado e vi um caminhão tombado no meio da rua, o mesmo clarão que tinha visto em vida iluminava toda a cena.
De repente senti que estava sendo puxado para longe de tudo aquilo. Escuridão e logo após uma luz, branca e forte. Gritei. O choque estava passando e eu não conseguia aceitar nada daquilo. Não queria morrer, amava viver, amava tudo na minha vida. Senti uma mão no meu ombro ao cair de joelhos naquele plano branco. Não conseguia ver seu rosto, mas dentro de mim tive certeza que era algo muito acima de qualquer entendimento ou fé. Pedi para voltar, uma segunda chance. A resposta veio em pensamentos, como se fosse por telepatia. Ele me daria a chance de ver tudo o que gostaria de ver no tempo que me fosse necessário. Pois Ele tinha um caminho para mim e eu só poderia percorrer quando entendesse tudo o que tinha me acontecido.
"Feche os olhos", pediu em pensamentos.
Fechei.
Quando abri já era dia, um dia após a minha morte. Estava chovendo. Comecei a percorrer aquelas ruas tão familiares em busca de alguém, qualquer um. Encontrei uma conhecida e comecei a caminhar ao lado dela.
- Hey oi
Nada, ela continuou a caminhar. Passei a mão em frente ao seu rosto, nada. Atravessei a minha mão de lado a lado da sua cabeça. Ela parou, olhou para os lados e continuou o seu trajeto.
Resolvi procurar meus familiares. Precisava encontra-los e dizer que de alguma forma eu estava bem. O velório da cidade não ficava muito longe de onde eu estava, corri para lá. Ao contornar uma rua, parei. Estava lotado de pessoas e carros, reconheci centenas de rostos. Sempre tive uma curiosidade em saber quem iria no meu velório quando eu morresse e agora eu tinha a resposta. Fiquei parado ali contemplando cada um, muitos choravam. Minha conhecida passou por mim e se juntou a um grupo de garotas, suas amigas.
Sem mais.
Este é um trecho não revisado do livro que estou escrevendo, muita coisa pode mudar. Mas acredito que vocês já podem ter uma base de como vai ser...
sábado, 8 de setembro de 2012
Me desculpe...
Me desculpe se tudo o que eu fiz pensando em te agradar não foi o suficiente para você. Tantas e tantas vezes jogamos tudo para o alto e só pensamos na felicidade que radiava dos nossos sorrisos, mas não foi o suficiente...me desculpe por isso.
Me desculpe se de alguma forma os nossos caminhos, antes entrelaçados, hoje tomaram rumos totalmente distintos. Quando lembramos daquela época em que um simples pensamento nos levava um ao outro, tudo parecia no lugar e da nossa maneira, era perfeito.
Me desculpe pelas tantas brigas que tivemos, onde foram colocadas provas de que eramos tão diferentes, mas isso não eram grandes motivos, apesar de machucar, sempre que reconciliávamos parecia que nos amávamos mais e mais.
Me desculpe se um dia, apenas um dia, eu pensei mais em você do que em mim ao te deixar partir e tentar ser feliz em um outro lugar. Significou tanto para mim que ainda hoje recolho os meus pedaços que outrora deixei ir contigo.
Me desculpe se você me amou muito e eu não consegui enxergar, mas saiba que este amor era/é/será sempre recíproco. Ainda me lembro de um simples dia frio onde nos esquentávamos enrolados num cobertor e abraços vendo o por do sol. Nesses momentos simples eu te dei todo o meu amor sem dizer uma única palavra.
Me desculpe se hoje existe apenas lembranças de algo que acreditávamos ser concreto e para sempre. O nosso para sempre acabou e só me resta dizer, me desculpe...
Me desculpe se de alguma forma os nossos caminhos, antes entrelaçados, hoje tomaram rumos totalmente distintos. Quando lembramos daquela época em que um simples pensamento nos levava um ao outro, tudo parecia no lugar e da nossa maneira, era perfeito.
Me desculpe pelas tantas brigas que tivemos, onde foram colocadas provas de que eramos tão diferentes, mas isso não eram grandes motivos, apesar de machucar, sempre que reconciliávamos parecia que nos amávamos mais e mais.
Me desculpe se um dia, apenas um dia, eu pensei mais em você do que em mim ao te deixar partir e tentar ser feliz em um outro lugar. Significou tanto para mim que ainda hoje recolho os meus pedaços que outrora deixei ir contigo.
Me desculpe se você me amou muito e eu não consegui enxergar, mas saiba que este amor era/é/será sempre recíproco. Ainda me lembro de um simples dia frio onde nos esquentávamos enrolados num cobertor e abraços vendo o por do sol. Nesses momentos simples eu te dei todo o meu amor sem dizer uma única palavra.
Me desculpe se hoje existe apenas lembranças de algo que acreditávamos ser concreto e para sempre. O nosso para sempre acabou e só me resta dizer, me desculpe...
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Talvez intuição?
Seus amigos estavam todos reunidos em um dos parques da cidade. Só havia aceitado o convite por causa de uma garota. Sua melhor amiga. Há algum tempo ele sentia que começava a ter sentimentos por ela e cada vez que a olhava ele suava frio e suas orelhas ardiam. Resolveu se afastar do grupo e começou a contemplar uma árvore de aparência bem antiga. Será que essa árvore já viu vários caras bobos iguais a ele que não consegue falar com a melhor amiga? Achava que não.
Ela o chamou de longe. Ele começou a encara-la. Estranho pensou. Ela costumava não sentir tanto a sua falta quando estava com todos reunidos.
Havia algo de diferente ali, algo que não tinha notado antes, talvez ela tivesse cortado o cabelo ou algo do tipo. Sem dar muito importância para isso voltou a passos lentos em direção ao grupo, seu olhar fixamente nela.
- Hey aonde o senhor foi??? - ela perguntou sorrindo.- Precisava falar contigo. - estava com um sorriso diferente, não tinha reparado nisso também?
- Fui ali ver uma árvore.
- Árvore? Que árvore? Me mostra também?
Ela pega em sua mão e vai ao local onde ele estava antes.
- Qual delas você estava olhando?
- Aquela ali, mas porq...
- Tive uma ideia. Vem...
Ela vai até a árvore e se vira para ele.
- Me empresta tua chave?
- Sim, mas por quê? - Nada estava fazendo sentindo...
- Quero gravar nossos nomes nela.
- Você não acha isso romântico demais para dois amigos?
- Sim, por isso queria falar contigo.
Suas mãos suavam.
- Sei que somos amigos a muito tempo, mas há algo entre nós, por favor, diga que não estou sentindo tudo isso sozinha, estou?
Oh Meu Deus!!! Sua mente martelava, era realmente possível isso? Seria perfeito demais. Justo ele?
- Me responda por favor... - ela insistia, era sério.
- Bem eu..eu não sei o que dizer, eu...
Ela se aproximou e o beijou.
Calor, calor que subiu pelo estomago que dava cambalhotas e foi até as pontas de suas orelhas que começaram a arder.
- Eu te amo - ela disse em meio a uma tomada de folego
- Eu também - foi apenas o que conseguiu dizer antes de tudo se dissipar em meio a uma nuvem de lembranças.
Bem la no fundo de sua mente alguém o chamava. Ele olhou para a dona da voz. Pensando nela ele se encaminha a seu encontro.
- Hey aonde o senhor foi??? - ela perguntou sorrindo.- Precisava falar contigo.
De certa forma, ele também tinha algo a dizer para ela...
Ela o chamou de longe. Ele começou a encara-la. Estranho pensou. Ela costumava não sentir tanto a sua falta quando estava com todos reunidos.
Havia algo de diferente ali, algo que não tinha notado antes, talvez ela tivesse cortado o cabelo ou algo do tipo. Sem dar muito importância para isso voltou a passos lentos em direção ao grupo, seu olhar fixamente nela.
- Hey aonde o senhor foi??? - ela perguntou sorrindo.- Precisava falar contigo. - estava com um sorriso diferente, não tinha reparado nisso também?
- Fui ali ver uma árvore.
- Árvore? Que árvore? Me mostra também?
Ela pega em sua mão e vai ao local onde ele estava antes.
- Qual delas você estava olhando?
- Aquela ali, mas porq...
- Tive uma ideia. Vem...
Ela vai até a árvore e se vira para ele.
- Me empresta tua chave?
- Sim, mas por quê? - Nada estava fazendo sentindo...
- Quero gravar nossos nomes nela.
- Você não acha isso romântico demais para dois amigos?
- Sim, por isso queria falar contigo.
Suas mãos suavam.
- Sei que somos amigos a muito tempo, mas há algo entre nós, por favor, diga que não estou sentindo tudo isso sozinha, estou?
Oh Meu Deus!!! Sua mente martelava, era realmente possível isso? Seria perfeito demais. Justo ele?
- Me responda por favor... - ela insistia, era sério.
- Bem eu..eu não sei o que dizer, eu...
Ela se aproximou e o beijou.
Calor, calor que subiu pelo estomago que dava cambalhotas e foi até as pontas de suas orelhas que começaram a arder.
- Eu te amo - ela disse em meio a uma tomada de folego
- Eu também - foi apenas o que conseguiu dizer antes de tudo se dissipar em meio a uma nuvem de lembranças.
Bem la no fundo de sua mente alguém o chamava. Ele olhou para a dona da voz. Pensando nela ele se encaminha a seu encontro.
- Hey aonde o senhor foi??? - ela perguntou sorrindo.- Precisava falar contigo.
De certa forma, ele também tinha algo a dizer para ela...
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