quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Póstumo

Não me lembro de quase nada de como tudo começou.
Estava dirigindo meu carro, era noite, vi um clarão, som de pneus freando e depois tudo escureceu...
Me vi em um lugar paralelo, estava confuso no começo, agora já consigo entender. Eu tinha morrido.
Quando a visão turva começou a espairecer pude ver o meu em carne e osso dentro do carro, estava desacordado em meio as ferragens. Pessoas passavam por mim, me atravessando, eu era um espirito, ou o mais próximo que consegui assimilar.
A sirene de uma ambulância se aproximava rápido. Pessoas abriram caminho e os enfermeiros começaram a tentar me tirar de lá. Olhei para o outro lado e vi um caminhão tombado no meio da rua, o mesmo clarão que tinha visto em vida iluminava toda a cena.
De repente senti que estava sendo puxado para longe de tudo aquilo. Escuridão e logo após uma luz, branca e forte. Gritei. O choque estava passando e eu não conseguia aceitar nada daquilo. Não queria morrer, amava viver, amava tudo na minha vida. Senti uma mão no meu ombro ao cair de joelhos naquele plano branco. Não conseguia ver seu rosto, mas dentro de mim tive certeza que era algo muito acima de qualquer entendimento ou fé. Pedi para voltar, uma segunda chance. A resposta veio em pensamentos, como se fosse por telepatia. Ele me daria a chance de ver tudo o que gostaria de ver no tempo que me fosse necessário. Pois Ele tinha um caminho para mim e eu só poderia percorrer quando entendesse tudo o que tinha me acontecido.
"Feche os olhos", pediu em pensamentos.
Fechei.
Quando abri já era dia, um dia após a minha morte. Estava chovendo. Comecei a percorrer aquelas ruas tão familiares em busca de alguém, qualquer um. Encontrei uma conhecida e comecei a caminhar ao lado dela.
- Hey oi
Nada, ela continuou a caminhar. Passei a mão em frente ao seu rosto, nada. Atravessei a minha mão de lado a lado da sua cabeça. Ela parou, olhou para os lados e continuou o seu trajeto.
Resolvi procurar meus familiares. Precisava encontra-los e dizer que de alguma forma eu estava bem. O velório da cidade não ficava muito longe de onde eu estava, corri para lá. Ao contornar uma rua, parei. Estava lotado de pessoas e carros, reconheci centenas de rostos. Sempre tive uma curiosidade em saber quem iria no meu velório quando eu morresse e agora eu tinha a resposta. Fiquei parado ali contemplando cada um, muitos choravam. Minha conhecida passou por mim e se juntou a um grupo de garotas, suas amigas.



Sem mais.
Este é um trecho não revisado do livro que estou escrevendo, muita coisa pode mudar. Mas acredito que vocês já podem ter uma base de como vai ser...


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